Por dentro das Disfunções Urinárias

Atividade sexual pode (e deve) ser mantida, independente das disfunções urinárias

Tendo como principal característica a perda involuntária de urina, a incontinência urinária é a disfunção miccional que mais atinge a população – 35% das mulheres após a menopausa, 40% das gestantes e 5% dos homens – interferindo diretamente nas atividades gerais, na rotina do trabalho e nas relações sociais e familiares dos indivíduos. Mas, uma área pouco abordada e bastante afetada pelo problema é a da atividade sexual, que costuma ser interrompida pelos casais.

Mais do que questões físicas, ou seja, de funcionamento da bexiga, a atividade sexual costuma ser impactada por fatores emocionais, que vão de constrangimento em realizar o ato em si, à depressão gerada pelo quadro geral da doença, trauma psicológico, ansiedade e sentimentos de solidão, culpa e humilhação. 1

Segundo Rose Villela, psicóloga com especialização em sexualidade humana e com experiência neste tipo de atendimento, embora algumas pessoas aleguem falta de desejo devido ao problema físico, na verdade revelam um desconforto emocional, devido a possíveis odores ou à perda da urina durante a relação sexual.

"Diante do medo destas ocorrências, a pessoa evita o parceiro ou parceira, fazendo com que as relações sexuais não aconteçam, ou sejam raras para não passar por situações que julgam constrangedoras”, relata a psicóloga.

Mas, ela adverte que estes fatores não podem ser impeditivos da atividade sexual, tão importante para a vida do casal, conta a psicóloga.

De forma geral, a mulher se preocupa mais em adotar novos comportamentos para camuflar a incontinência urinária, como o uso frequente de perfumes de forte odor, utilização de roupas escuras, diminuição da ingestão de líquidos, suspensão por conta própria de medicamentos que estimulem a eliminação urinária, uso de absorventes ou protetores para controle da perda urinária, e assim por diante.

Por isso, o diálogo com o parceiro ou parceira é muito importante, dando margem para que ambos se abram, exponham seus sentimentos e receios e se apoiem mutuamente. "Brincar com o assunto, não se deixar abater e caprichar nas preliminares pode fazer toda a diferença”, sugere Villela.

Como manobras físicas e que valem mais para a sensação de segurança da pessoa com disfunção, a psicóloga recomenda tomar banho antes da relação e forrar a cama, por exemplo. Fazer xixi antes da relação também é uma boa estratégia.

Para concluir, Villela indica que a pessoa com problema miccional procure ajuda profissional. "Enquanto o urologista trata a disfunção com medicamentos e outros procedimentos médicos, o fisioterapeuta trabalha no fortalecimento da musculatura pélvica e o psicólogo atua para a aceitação da doença. Desta forma, cada especialista integra um pilar que tem um único objetivo: a melhora da qualidade de vida do paciente”.

Existem inúmeras opções para lidar com as disfunções urinárias. Você só precisa buscar as orientações adequadas para que ela não interfira em seu bem-estar.


1 Borba, Alessandra Maria Cotrim de; Brêtas, Ana Cristina Passarella; Lelis, Maria Alice dos Santos. Significado de ter incontinência urinária e ser incontinente na visão das mulheres. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/tce/v17n3/a14v17n3