Por dentro das Disfunções Urinárias

Bexiga neurogênica: A importância do acompanhamento conjunto entre urologista e neurologista

Um a cada cinco brasileiros sofre com a bexiga hiperativa, disfunção urinária caracterizada pela vontade urgente e recorrente de fazer xixi. Dentre as diversas causas da doença está a neurogênica, motivada por problemas de origem neurológica geralmente ligadas a outras doenças que acabam por refletir no funcionamento da bexiga, tais como mal de Parkinson, esclerose múltipla, acidentes vasculares cerebrais (AVC), tumores cerebrais e até traumas com lesões medulares.

Por já terem doenças de base que geram limitações importantes, é comum que estes pacientes negligenciem suas disfunções urinárias, por considerarem o problema como uma consequência natural e sem tratamento, o que não é verdade. Por este motivo, é muito importante que o médico neurologista responsável pelo acompanhamento destes pacientes identifique e valorize estas disfunções orientando seus pacientes para o seguimento profissional com um urologista/uroginecologista para os devidos cuidados com o trato urinário.

Segundo Dr. Pedro Magnani (CRM 46483-SP), especialista pela Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto, "uma vez identificada uma disfunção miccional de causa neurológica, a participação do neurologista passa a ser importante para determinar a conduta do urologista de acordo com o prognóstico e tratamento instituído pelo neurologista para a doença de base do paciente. Mais do que um benefício ao paciente, é uma necessidade premente para a sua melhor qualidade de vida”.

Tal necessidade se explica pelo fato destes pacientes terem dificuldades inerentes à doença, em diferentes níveis e estágios, que interferem em sua mobilidade, locomoção e coordenação motora – especialmente em cadeirantes, que tornam o manejo das perdas urinárias e da higienização mais limitantes, com aumento de constrangimentos, além de maior recorrência de assaduras, infecções urinárias e até complicações renais.

O tratamento da bexiga hiperativa neurogênica é bastante similar às disfunções de origem não neurológica, compreendendo medicamentos, fisioterapia, toxina botulínica A e procedimentos cirúrgicos, com resultados bastante satisfatórios. Nos casos específicos de medicamentos, mais uma vez a parceria entre neurologista e urologista se mostra como um diferencial visto que remédios para o tratamento das doenças neurológicas podem interferir nos resultados de ação dos medicamentos para a disfunção urinária.

Se você é paciente neurológico e apresenta disfunção urinária, não deixe de questionar seu médico de base sobre suas dificuldades e como tratá-las adequadamente.