Por dentro das Disfunções Urinárias

Cistite pode ser evitada com práticas simples

Conhecida pelo acometimento especialmente de mulheres, a cistite - processo inflamatório da bexiga - é comumente negligenciada em termos de prevenção e tratamento, podendo gerar cronicidade ou evolução para outras doenças.

A cistite pode ter diversas causas, sendo a mais comum as infecções por bactérias ou outros microrganismos. Outras causas estão relacionadas à presença de cálculos, focos de endometriose intra-vesical, inflamação crônica decorrente de radioterapia, cistite intersticial, entre outras. Embora se observe relação familiar em casos relacionados à cálculos renais, não são estabelecidas associações entre predisposição genética ou cistite bacteriana.

As mulheres são mais afetadas pela doença do que os homens por questões anatômicas, já que a uretra feminina é mais curta que a do homem (cerca de 3,5 cm) e por isso mais favorável à migração de germes para o interior da bexiga. Também favorece a contaminação o fato de a entrada da uretra estar muito próxima da cavidade vaginal e anal.

Nos homens, as cistites ocorrem mais frequentemente por uma infecção na uretra que se estende à próstata e posteriormente à bexiga. Por outro lado, a infecção da bexiga pode ser provocada por um cateter ou por um instrumento utilizado durante um ato cirúrgico. A causa mais frequente de infecções de repetição nos homens é uma infecção bacteriana persistente na próstata.

Quando tratada com brevidade e de forma correta, ou seja, sob orientação médica, a cistite não costuma gerar complicações, mas caso contrário, pode levar a sangramentos na urina e até infecção renal. Os casos recorrentes também podem evoluir para cistites crônicas, com sintomas semelhantes a uma infecção aguda, mesmo na ausência de infecção bacteriana. Há ainda indícios de que a síndrome da dor vesical seja uma repercussão das cistites recorrentes.

Segundo a uroginecologista Dra. Maria Augusta Bortolini (CRM SP-102492), os casos mais comuns relacionados à contaminação, podem ser evitados com hábitos simples. "No caso específico das mulheres, cuidados nas manobras de higienização após as evacuações, não permitir acesso simultâneo à região anal e vaginal durante as relações sexuais, evitar roupas sintéticas e muito justas que impeçam a transpiração natural da região vaginal, beber média de 2 litros de água por dia, programar o esvaziamento completo da urina a cada 2 ou 3 horas, entre outras práticas”.

A especialista explica que uma vez instalado problema, as indicações de tratamento para os casos relacionados à infecção bacteriana partem de medicamentos antissépticos e anestésicos que visam aliviar a dor e o desconforto, e antibióticos direcionados ao tipo de bactéria encontrada. Para os casos de persistência dos episódios infecciosos, utiliza-se a profilaxia preventiva por antibióticos, por 3-6 meses de forma contínua. Ainda para alguns casos em especifico, pode-se sugerir imunoterápicos que visem aumentar a resistência imunológica.