Por dentro das Disfunções Urinárias

Entendendo as disfunções do trato urinário durante a gestação e no pós-parto

Estima-se que cerca de 6% das gestantes apresentam problemas de incontinência urinária nos primeiros três meses de gestação, número que tende a aumentar, chegando a 20% após as 36 semanas (aproximadamente oitavo mês da gravidez).

Segundo o uroginecologista do HC – Hospital das Clínicas, de Ribeirão Preto, Dr. Pedro Magnani (CRM SP-46483), isso ocorre devido a diversos fatores predominantes durante a gestação como:

  • Alterações hormonais que causam interferências nos músculos de sustentação do assoalho pélvico e da bexiga, gerando aumento da mobilidade do colo vesical e mais facilidade para o surgimento da incontinência urinária.
  • Sobrepeso ou esforço que geram aumento da pressão intra-abdominal, estiramento de terminações nervosas, diminuição da pressão de fechamento uretral e menor pressão intravaginal.
  • Fatores acima somados à tendência genética. 

Embora seja comum às mulheres urinarem com mais frequência durante a gestação, em virtude do peso do útero em relação à bexiga, caso os sintomas se tornem muito intensos, é preciso um acompanhamento com o médico especialista para a avalição de cada caso”, relata o dr. Pedro.

O especialista complementa que além da gestação, o parto natural também pode gerar a incontinência urinária, devido à denervação dos músculos do assoalho pélvico e da bexiga, além dos estiramentos das estruturas que a pelve sofre no momento do parto.

Dr. Pedro, no entanto, diz que algumas medidas ajudam a prevenir e ou tratar os problemas. No caso das gestantes, os cuidados têm como objetivo amenizar os sintomas e evitar a incontinência urinária no pós-parto e compreendem:

  • Fisioterapia com exercícios de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico;
  • Controlar o ganho de peso para que não exceda o necessário para o bom desenvolvimento do bebê – média de 9 a 12 quilos.
  • Durante o parto, se possível, evitar o "puxo dirigido” – Quando o médico solicita que a paciente faça força para empurrar o bebê, e deixar que o processo aconteça naturalmente pela expulsão. Evitar o uso de ocitócitos (estimulante da contração uterina) usado para induzir o parto ou controlar hemorragia pós-parto);
  • Evitar a episiotomia – corte realizado no momento do parto, entre a vagina e o ânus, para facilitar a saída do bebê;

No pós- parto só é possível realizar fisioterapia e observar a evolução dos sintomas. Após 3 a 6 meses do parto, período em que a incontinência se estabelece, deve-se iniciar investigação e tratamento especializado uroginecológico, verificando se a perda ocorre ao esforço ou urgência.

Incontinência urinária de esforço: ocorre sempre que há um aumento da pressão abdominal como na tosse, espirro, gargalhada ou ao pegar peso;

Incontinência urinária de urgência: súbita vontade de urinar que leva a mulher a ter que correr ao banheiro, em que na maioria das vezes a micção ocorre no meio do caminho.

O tratamento é direcionado de acordo com o tipo de disfunção. A incontinência de esforço é geralmente tratada com cirurgia ou fisioterapia, enquanto a de urgência é tratada com medicações, mudança de hábito, fisioterapia ou com a Toxina Botulínica A - medicação de uso intravesical, aplicada na bexiga. A Toxina age suprimindo a contração involuntária da bexiga.

 

"Os resultados com a Toxina Botulínica A são muitos bons, principalmente nos casos em que as outras medicações falharam ou quando há uma contra indicação de anticolinérgicos via oral – utilizado para aliviar os espasmos da bexiga”, explica o uroginecologista.

O médico finaliza complementando que mulheres que apresentam o problema urinário durante a gestação possuem grandes chances de permanecer com a incontinência urinária no pós-parto, podendo melhorar nos próximos três meses ou continuar por tempo indeterminado.

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