Disfunções Urinárias na imprensa

Estudos comparativos entre Botox® e placebo para tratamento de disfunções urinárias, conclui melhora na qualidade de vida de pacientes

Impacto da toxina botulínica tipo A na qualidade de vida e aspectos práticos da vida diária: resultados de análises conjuntas de dois estudos randomizados e controlados, conduzidos por Everaert, et al., e publicados no dia 03 de dezembro de 2015 pelo International Journal of Urology

A multinacional farmacêutica Allergan plc (NYSE: AGN), divulgou esta semana análise conjunta de dois estudos clínicos que compararam a eficácia do BOTOX® (toxina botulínica tipo A) com placebo no tratamento de pessoas com bexiga hiperativa e incontinência urinária. Os resultados revelaram importante melhora na qualidade de vida e nos aspectos práticos da vida diária dos pacientes tratados com BOTOX e que já haviam sido submetidos a tratamentos com medicamentos anticolinérgicos.

Dentre os aspectos práticos de qualidade de vida relatados pelos pacientes, destacam-se a melhora quanto à necessidade de uso de absorventes, troca de roupas íntimas, sono, relacionamento com o parceiro, além das atividades laborais e da vida diária[i].

Metodologia - Os dois estudos clínicos foram realizados por 24 semanas e avaliaram a eficácia do tratamento com toxina botulínica tipo A em 1105 pacientes com bexiga hiperativa idiopática (sem causa definida) e incontinência urinária com resposta inadequada à terapia anticolinérgica (randomizados para toxina botulínica tipo A 100U (n = 557) ou placebo (n = 548)). Todos os pacientes apresentaram três ou mais episódios de incontinência urinária de urgência em um período de três dias, e oito ou mais micções por dia. Os trabalhos utilizaram dois parâmetros primários: episódios de incontinência urinária basal por dia, e após um período de 12 semanas, registrando as percepções relatadas pelos pacientes em cada consulta pós-tratamento sobre os benefícios do tratamento, com base na TBS[1] - Escala de Benefícios de Tratamento. Os parâmetros secundários incluíram o resumo total do escore da escala Incontinence Quality of Life (I-QOL)[2] e dois domínios do King’s Health Questionnaire (KHQ)[3] – Limitações de Atividades Diárias e Limitações Sociais.

O perfil médio dos pacientes compreendeu idade de 60,4 anos, sendo 87,8% mulheres – público ligeiramente mais acometido pelas disfunções urinárias. A duração média do diagnóstico de bexiga hiperativa foi de 6,1 anos, com pacientes que relatavam média de 5,4 episódios de incontinência urinária por dia.

Resultados: Uma proporção consideravelmente maior de pacientes tratados com BOTOX® reportaram resposta positiva na TBS (parâmetro primário) comparada com placebo (61,8% contra 28,0%).

Também comparado com placebo, os pacientes reportaram diminuição significativa dos sentimentos de depressão (47,1% contra 26,9%) e cansaço (44,3% contra 27,3%) consequentes aos problemas urinários, assim como uma diminuição significativa da frequência do uso de absorventes (37,6% contra 15,3%) e troca de roupas íntimas (54,9% contra 25,7%).

Segundo o Doutor em Urologia pela UNIFESP, José Carlos Truzzi (CRM SP-70519), "os sintomas da bexiga hiperativa frequentemente geram efeito negativo na qualidade de vida. Isto, combinado às altas taxas de abandono de uso dos medicamentos anticolinérgicos, indica a necessidade de avaliar o impacto que os tratamentos para a bexiga hiperativa têm na vida dos pacientes. Estes dois estudos, demonstraram melhora significativa em vários parâmetros nos questionários de avaliação da qualidade de vida, Fica evidente a relevância dos resultados da terapia com BOTOX® em adultos.

Entendendo a Bexiga Hiperativa

O termo bexiga hiperativa é usado para caracterizar uma urgência repentina e incontrolável por urinar, assim como a necessidade de urinar com maior frequência Isto pode levar à perda involuntária de urina (incontinência), associada à necessidade de se levantar durante a noite para esvaziar a bexiga, com interrupção do sono (noctúria)[ii]. A bexiga hiperativa é uma condição estressante e pode ter um impacto considerável na qualidade de vida 3.

Estima-se que no Brasil 30 milhões de pessoas sejam acometidas de bexiga hiperativa[iii]. Os sintomas da bexiga hiperativa podem afetar aspectos psicológicos, ocupacionais, domésticos, físicos e sexuais 5. As pessoas se isolam com medo de passar por situações constrangedoras em viagens, festas e até em atividades rotineiras e no trabalho. Este isolamento pode resultar em depressão. Por isso, é muito importante ficar atento aos sintomas, uma vez que muitos pacientes escondem o problema da própria família e não procuram orientação médica.

Embora as causas da bexiga hiperativa não estejam completamente entendidas, sabe-se que em pessoas que apresentam a doença, a bexiga parece fornecer mensagens erradas ao cérebro, demonstrando estar mais cheia do que na realidade está[iv]. Tal disfunção pode resultar numa urgência repentina e incontrolável por urinar (urgência), assim como a necessidade mais frequente por urinar (frequência) e que pode causar a passagem involuntária de urina (incontinência), junto com o despertar noturno mais de uma vez pela necessidade de urinar (noctúria)[v].

Devido à natureza dessa condição, muitos pacientes sofrem em silêncio, sentindo-se isolados socialmente e limitando interações profissionais e sociais para evitar acidentes vergonhosos[vi]. Os sintomas da bexiga hiperativa podem afetar aspectos psicológicos, ocupacionais, domésticos, físicos e sexuais da vida destes pacientes5.

Clique aqui e assista a um vídeo infográfico sobre as disfunções urinárias.

Como é realizado o tratamento da bexiga hiperativa com BOTOX®

A administração da toxina botulínica na bexiga é realizada através de um cistoscópio (tipo de endoscópio para via urinária), sob anestesia local, raquidiana ou sedação. O procedimento é realizado em caráter ambulatorial ou de Hospital-Dia, com paciente recebendo alta em aproximadamente duas horas após o procedimento.

O medicamento age relaxando os músculos da bexiga e assim inibindo a contração involuntária que gera a vontade de urinar.

Sobre BOTOX® (toxina botulínica A*)

A aplicação de BOTOX® ficou famosa no mundo todo pela indicação cosmética, no tratamento das rugas de expressão. No entanto a substância foi descoberta para o tratamento terapêutico e aprovada, em 1989 (pelo FDA, nos Estados Unidos), como uma alternativa para tratar o estrabismo.

No Brasil, a primeira toxina botulínica a ser aprovada foi BOTOX®, marca comercial da Allergan, em 1992, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), para fins terapêuticos. Hoje, BOTOX® possui nove indicações aprovadas no País: distonia, estrabismo, blefaroespasmo, espasmo hemifacial, linhas faciais hipercinéticas, espasticidade, hiperidrose, bexiga hiperativa e migrânea crônica, popularmente conhecida como enxaqueca crônica.

[1] O Treatment Benefit Scale (TBS) é um sistema de pontuação em que os pacientes registram a sua percepção do benefício do tratamento em cada visita pós-tratamento, classificando sua condição como "melhorou muito", "melhorou", "não mudou" ou "piorou".

[2] O Incontinence Quality of Life (I-QOL) é um questionário específico de 22 itens sobre a doença, auto-administrado, projetado para medir o impacto da incontinência urinária na vida dos pacientes. Ele fornece um escore total (parâmetro secundário pré-especificado) que varia de 0 a 100, com escores mais elevados refletindo melhor qualidade de vida relacionada à saúde (HRQOL) (soma de todos os 22 itens individuais), mais três dos seguintes escores dos domínios: Evitação e Limitação do Comportamento, Impacto Psicossocial e Constrangimento Social.

[3] O King’s Health Questionnaire (KHQ) é um questionário específico para a bexiga hiperativa projetado para medir o seu impacto na HRQOL dos pacientes.

[i] Everaert K, et al. Impact of onabotulinumtoxinA on quality of life and practical aspects of daily living; A pooled analysis of two randomized controlled trials. The International Journal of Urology 2015; publicação eletrônica adiantada à publicação física.

[ii] Wein AJ et al. Overactive Bladder: A Better Understanding of Pathophysiology, Diagnosis and Management. The Journal of Urology 2006;175:S5-S10

3 Patient.co.uk. Overactive bladder syndrome. Disponível em: http://patient.info/health/overactive-bladder-syndrome. Acessado em outubro de 2015

4 Wein AJ et al. Overactive Bladder: A Better Understanding of Pathophysiology, Diagnosis and Management. The Journal of Urology 2006;175:S5-S10

5 Tubaro A. Defining overactive bladder: Epidemiology and burden of disease. Urology 2004;64:2-6

Fonte: GeHosp