Por dentro das Disfunções Urinárias

O que é e como tratar a incontinência urinária de origem neurogênica

Dentre as diversas doenças neurológicas de origem congênita, hereditária ou adquirida, algumas interferem na função encefálica (cérebro) e na função da medula espinhal (porção alongada do sistema nervoso central), causando reflexos no funcionamento da bexiga e da uretra (canal que leve urina para fora da bexiga). Essa alteração na bexiga, decorrente de uma lesão neurológica, é conhecida como bexiga neurogênica.

Traduzindo, a bexiga neurogênica se dá por um mal funcionamento do sistema de comunicação do cérebro e/ou medula, que gera uma anormalidade nas funções do trato urinário (uretra e bexiga).

"Em uma pessoa normal, quando a bexiga está vazia ou com pequeno volume de urina, os nervos da bexiga enviam sinais ao cérebro que estimulam os músculos a relaxarem e assim facilitar o armazenamento da urina. Eles ainda comandam os músculos ao redor da uretra a se contraírem e impedirem a saída da urina. Quando não há resposta do cérebro, esse mecanismo de armazenamento e esvaziamento ocorre sem controle”, explica o urologista chefe dos setor de disfunções miccionais da UNIFESP-EPM, Dr. Fernando Almeida (CRM SP-95644).

Como exemplo de doenças e fatores que podem ter a bexiga neurogênica como consequência, podemos destacar a mielomeningocele (malformação congênita da coluna vertebral), esclerose múltipla, morbidades das áreas cerebrais responsáveis pelo controle motor fino (atrofia sistêmica múltipla e doença de Parkinson), acidente vascular cerebral (AVC) e traumas da medula espinhal.

Como exemplo de doenças e fatores que podem ter a bexiga neurogênica como consequência, podemos destacar a mielomeningocele (malformação congênita da coluna vertebral), esclerose múltipla, morbidades das áreas cerebrais responsáveis pelo controle motor fino (atrofia sistêmica múltipla e doença de Parkinson), acidente vascular cerebral (AVC) e traumas da medula espinhal.

O diagnóstico da incontinência urinaria neurogênica se dá pela investigação dos sintomas do trato urinário inferior – STUI, em que os pacientes são submetidos a diversos testes neurológicos para avaliar a extensão do acometimento do Sistema Nervoso Central. Também são realizados exames clínicos e físicos do paciente, análise quantitativa e qualitativa da urina, aplicação de diários miccionais, teste do absorvente e uso de urofluxometria (para a detecção de irregularidades na quantidade ou velocidade da urina do paciente).

O urologista e pós-graduado em Disfunções Miccionais, Dr. Wagner Salomão, complementa que a partir do diagnóstico é que se apresentam ao paciente as diferentes modalidades de tratamento para a incontinência urinaria de origem neurogênica. "O paciente neurológico não é tratado da mesma maneira que o paciente que apresenta o diagnóstico de incontinência urinária por outras causas, como idade avançada, obesidade, gravidez, parto normal, menopausa, tabagismo, infecção urinária, entre outros.”, relata dr. Salomão.

De acordo com o Dr. Fernando Almeida, quando a incontinência urinária é causada por problemas neurológicos, os tratamentos indicados são à base de medicamentos, toxina botulínica ou cirurgias:

Medicamentos e Inibidores
Para tratar o problema pode-se utilizar de medicamentos antimuscarínicos (relaxantes da musculatura da bexiga) ou inibidores competitivos da acetilcolina - que diminuem a contração da bexiga e melhoram os sintomas de urgência.

Toxina Botulínica - A
Em pacientes com problemas urinários de origem neurológica é necessária a aplicação de 300 unidades, que são distribuídas em 30 pontos da musculatura da parte interna da bexiga. A substância age relaxando os músculos e permitindo maior armazenamento de urina. A aplicação é realizada através de endoscopia, pela uretra, e diluída em soro fisiológico. A duração é de 15 minutos, com leve sedação, em ambiente ambulatorial. As aplicações diminuem os episódios de incontinência urinaria em um período de nove meses – a qual posteriormente é necessária nova aplicação.

Cirurgia
No caso de o paciente apresentar desordens no trato urinário e não responder aos tratamentos citados anteriormente, pode-se indicar procedimentos cirúrgicos definitivos como o Enterocistoplastia (ampliação vesical com alça intestinal).

Ambos os especialistas destacam que o tratamento da bexiga neurogênica deve ser multidisciplinar, composto de fisioterapeutas e enfermeiros especializados em uroneurologia e disfunções miccionais, além do urologista de base, para que os resultados sejam mais efetivos e o paciente não desista do tratamento. "A avaliação do paciente deve contemplar as possíveis reações adversas às diferentes propostas terapêuticas e suas evoluções para outras opções, até que se obtenha a resposta que ofereça a melhor qualidade de vida ao indivíduo”, conclui o dr. Wagner Salomão.

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