Por dentro das Disfunções Urinárias

Parece infecção urinária, mas é cistite intersticial

Dentro do universo das disfunções urinárias, uma bastante comum, mas pouco difundida, é a cistite intersticial, também conhecida como Síndrome da Bexiga Dolorosa.

Caracterizada pela irritação ou inflamação da parede da bexiga, a cistite intersticial pode causar ardência, dor, desconforto na região da bexiga por seis semanas (ou mais), dor vaginal durante a relação sexual, hematúria (sangue na urina), dor na pelve, espasmos da bexiga, necessidade de urinar durante a noite e de ir ao banheiro sem que a bexiga esteja cheia. Não raro, as pessoas se isolam e apresentam quadro de depressão.

O urologista José Carlos Truzzi (CRM 70519), mestre e doutor em urologia pela UNIFESP, chama a atenção para a necessidade de investigação cuidadosa desta doença. "Devido aos sintomas parecidos com os da infecção urinária pode acontecer de o diagnóstico não ser assertivo logo na primeira tentativa, por isso é importante que o médico tenha atenção e o paciente não perca a motivação para continuar o tratamento com o especialista”.

As causas da Síndrome ainda são desconhecidas, mas algumas suspeitas giram em torno de problemas relacionados à imunidade, hormônios, infecções, entre outros.

Apesar de não haver cura, o paciente com Cistite Intersticial pode recuperar a qualidade de vida, seguindo com acompanhamento médico especializado.

Os tratamentos da doença são bastante abrangentes e variam entre:

  • Medicamentos: indicados para cessar e/ou prevenir a dor. Os principais remédios via oral são os antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos e analgésicos – lembrando que os antidepressivos atuam no sistema supressor da dor.
  • Terapia intravesical: também composto por medicamentos, mas são aplicados diretamente na bexiga, com a finalidade de repor a camada de defesa existente no interior da bexiga.
  • Terapia comportamental: composta por uma dieta que evite alimentos considerados irritantes vesicais, como cafeína, alimentos cítricos e condimentados. 
  • Fisioterapia: baseada em exercícios de relaxamento da bexiga, para a melhora da dor local;
  • Cirurgia: Indicada, excepcionalmente, em caso de insucesso de todos os demais tratamentos, é composta por diversos tipos de procedimentos, que são orientados caso a caso.